Comunidade do 4º Distrito debate segurança pública

Insegurança e medo foram palavras recorrentes utilizadas por empresários e moradores da região do 4º Distrito, durante audiência pública (AP) realizada na noite desta terça-feira (5/5), na Sociedade Gondoleiros, bairro Navegantes. Eles reclamaram aos vereadores e autoridades da área da segurança pública da falta de policiamento ostensivo, os frequentes assaltos a moradores e estabelecimentos comerciais e problemas com o narcotráfico. A AP, solicitada por integrantes da comunidade, foi aberta pelo presidente da Câmara, vereador Sebastião Melo (PMDB), e conduzida por Mauro Zacher (PDT).

Presidente da Associação Benjamin Constant, Sílvio Belbute frisou que os problemas com a segurança pública devem ser enfrentados por todas as instâncias governamentais, uma vez que os problemas são gerais. “Muitas causas são sociais, com moradores em situação de rua em vários locais. Mas também enfrentamos a falta de policiamento. Falta integração dos órgãos envolvidos na segurança”, disse Belbute ao destacar, do mesmo modo, a necessidade de realizar um “ataque efetivo ao narcotráfico”.

Carlos Alexandre Tanski, empresário da região, relatou que há um abandono geral de uma região que, segundo ele, é fundamental em diversos setores da Capital. “Cerca de 40% da industrialização da cidade é aqui. Temos alta concentração bancária na região e sentimos a falta de efetivo da Brigada Militar de forma permanente”, disse. Para Ana Maria Fulginiti, moradora, os marginais estão se escondendo na Praça São Geraldo. “Assaltam o comércio do bairro e se escondem lá. Todos sabem onde se escondem, além de utilizarem drogas. A praça precisa de iluminação e guarda municipal 24 horas”, reivindicou.

Autoridades

O delegado Flávio Conrado informou que assumiu a Delegacia de Polícia (DP) da área há 20 dias. Ele determinou ao chefe de investigação o monitoramento de traficantes e gigolôs na região, e incluiu o monitoramento da clientela. Ressaltou que é importante que agentes municipais sejam parceiros em notificações. “A Polícia trabalha com informação e inteligência, por isso é importante a participação dos agentes públicos”, ponderou.

Pela Brigada Militar (BM), o capitão Marcelo Giusti, comandante da 4ª Cia do 9º BPM, registrou que existem dois ambientes que são meios de propagação de crimes e contravenção, em especial o tráfico de drogas: moradores de rua e prostituição. Apontou problemas ligados à Vila dos Papeleiros e ações da companhia na repreensão aos domínios do tráfico. “São muitos os problemas sociais. Por isso precisamos preservar à ordem social junto às comunidades como a do 4º Distrito em parceria com a BM”, ressaltou. Giusti também pediu a inversão no sentido de algumas ruas, iluminação pública – em especial no bairro São Geraldo –, e a poda de algumas árvores que atrapalham a luminosidade.

Representando a Guarda Municipal, o agente Paulo Oliveira colocou a limitação constitucional de policiamento ostensivo e investigativo, mas ressaltou que é função da instituição estar nos próprios municipais e na patrulha de parques e praças de Porto Alegre. Ele falou dos problemas de efetivo da corporação, que impedem a instituição de atender às demandas da cidade. “Estamos em praças com pessoas em situação de rua, especialmente com trabalho preventivo. Temos que auxiliar as forças policiais”, lembrou. Paulo observou que há concurso público em andamento e tem a expectativa de contar com mais 60 agentes ainda em 2009. “A Guarda tem, sistematicamente, abordado pessoas que moram nas ruas e as encaminha para abrigos e assistência social”, finalizou. O agente comprometeu-se, ainda, em dar atenção a Praça São Geraldo.

Para o vereador Mauro Zacher (PDT), são bons os resultados da AP. “Os relatos dos moradores e empresários aqui dados avançam na questão. A comunidade sabe das suas comunidades e de seus compromissos”, enfatizou. Destacou que o bairro São Geraldo já fez posto para a BM, uma DP e ainda não foram obtidos resultados efetivos. “Vamos traçar uma agenda para enfrentar este problema. Precisamos de estratégias para combater a criminalidade com um conjunto de ações, não só da Brigada, Polícia Civil e Guarda Municipal, mas com os órgãos convidados que não compareceram nesta audiência, como SMOV, EPTC e FASC”, criticou.

Adeli Sell (PT) sugeriu que os vereadores reforcem o trabalho do delegado e do capitão. Ele irá solicitar pedidos de providências às autoridades municipais e pediu que Zacher coordene um grupo para levar os assuntos, por exemplo, à governadora Yeda Crusius. Também participaram da AP os vereadores Airto Ferronato (PSB) e Carlos Todeschini (PT). Líderes de associações, ONGs, empresários e diversos moradores igualmente se fizeram presentes ao encontro.

Rainha das Noivas




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